O Direito à saúde sob a perspectiva de gênero: Análise a partir dos casos da corte interamericana de direitos humanos
Palavras-chave:
Saúde, Gênero, Corte Interamericana de Direitos HumanosResumo
O presente artigo analisa o direito à saúde sob a perspectiva de gênero na jurisprudência interamericana. Em outros termos, analisa o direito à saúde sob perspectivas complementares que buscarão entender onde se situa o direito à saúde, o que está em jogo e qual a extensão desse direito na agenda da Corte Interamericana de Direitos Humanos, buscando entender de que forma o direito à saúde é reconhecido, protegido e operacionalizado identificando avanços, lacunas e desafios na consolidação desse direito como componente estratégico dos Direitos Humanos nas Américas. Adotando uma abordagem qualitativa e quantitativa, fundamentada na análise documental e no estudo de caso jurisprudencial, o trabalho parte do exame sistemático de tratados internacionais de direitos humanos, em especial a Convenção Americana de Direitos Humanos, o Protocolo de San Salvador e demais instrumentos normativos pertinentes à proteção do direito à saúde com enfoque de gênero, sistematizando, na sequência, decisões da Corte IDH que envolvem direta ou indiretamente violações ao direito à saúde. A escolha dos casos seguiu critérios de relevância temática e representatividade interseccional, considerando marcadores como gênero, raça/etnia, classe, orientação sexual, idade e território.O estudo apontou que em diversas sentenças o tribunal interamericano reconheceu o direito à saúde como um direito autônomo e vinculou sua proteção a uma série de obrigações estatais, tais como a garantia do acesso universal, a eliminação de barreiras estruturais, a proteção contra a discriminação institucional e a implementação de medidas de reparação em contextos de violação, integrando a perspectiva da interseccionalidade em seus julgados.
Referências
ABADE, Denise Neves. Direitos fundamentais na cooperação jurídica internacional: extradição, assistência mútua, execução de sentença estrangeira e transferência de presos. São Paulo: Saraiva, 2013.
AYRES, José Ricardo de Carvalho Mesquita; FRANÇA JÚNIOR, Ivan; CALAZANS, Gabriela Junqueira; SALETTI FILHO, Haraldo César. O conceito de vulnerabilidade e as práticas de saúde: novas perspectivas e desafios. In: CZERESNIA, Dina; FREITAS, Carlos MAchado (org.). Promoção da saúde: conceitos, reflexões e tendências. 2. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2009. p. 122.
AYRES, José Ricardo de Carvalho Mesquita. “Sujeito, intersubjetividade e práticas de saúde”, Ciencia & Saúde Coletiva, 6(1), pp. 63-72, 2001.
—— , “Conceptos y prácticas en salud pública: algunas reflexiones”, Revista de La Facultad Nacional de Salud Pública, 20(2), pp. 67-82, 2002.
——, “O cuidado, os modos de ser (do) humano e as práticas de saúde”, Saúde e Sociedade, 13(3), pp. 16-29., 2004.
—— , “Para comprender el sentido práctico de las acciones de salud: contribuciones de la Hermenéutica Filosófica”, Salud Colectiva, 4(2), pp. 159-172, 2008.
BELTRAMELLI NETO, Silvio; PERUZZO, Pedro Pulzatto. Legal grounds for overcoming the false dichotomy between international human rights law and brazilian domestic law from the Inter-american normative and jurisprudential experience. Revista Pensamento Jurídico, São Paulo, Brasil, v. 17, n. 1, 2023. Disponível em: https://ojs.unialfa.com.br/index.php/pensamentojuridico/article/view/724. Acesso em: 20 fev. 2025.
BERNARDES, M. N. Sistema Interamericano de Direitos Humanos como Esfera Pública Transnacional: Aspectos Jurídicos e Políticos da Implementação de Decisões Internacionais. Sur. Revista Internacional de Direitos Humanos (Impresso), v. 15, p. 135-156, 2011.
BOLFARINI, Isabella Christina da Mota. Força vinculante das sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Salvador: Editora JusPodivm, 2019.
BOLFARINI, Isabella Christina da Mota; FÉLIX, Ynes da Silva. A evolução da proteção de mulheres e meninas e das questões de gênero nas sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Revista Sapiência: sociedade, saberes e práticas educacionais, v. 12, n. 4, 2023, p. 1-30. Disponível em https://www.revista.ueg.br/index.php/sapiencia/article/view/14666? Acesso dia 29 de outubro de 2025.
BUTLER, Judith. Frames of War. When Is Life Graviable? Londres, Verso, 2009.
CESCR, Committee on Economic, Social and Cultural Rights. General Comment No. 14: The right to the highest attainable standard of health (Art. 12). E/C.12/2000/4. Disponível em https://www.ohchr.org/sites/default/files/Documents/Issues/Women/WRGS/Health/GC14.pdf, Acesso dia 30 de outubro de 2025.
CIDH, Relatório anual de 2001, OEA/Ser./L/V/II.114, 16 de abril de 2002. Disponível em: https://cidh.oas.org/annualrep/2001eng/TOC.htm. Acesso dia 08 de outubro de 2025.
COMITÊ DE DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS. Comentário Geral nº 14: O direito ao mais alto padrão de saúde possível (artigo 12 do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais). ONU Doc. E/C.12/2000/4, 11 ago. 2000. Disponível em: https://digitallibrary.un.org/record/425041. Acesso em: 08 de outubro de 2025.
COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.
COOK, Rebecca J.; DICKENS, Bernard M.; FATHALLA, Mahmoud F.. Reproductive Health and Human Rights: Integrating Medicine. Ethics, and Law, Oxford, 2003; online edn, Oxford Academic, 3 Oct. 2011.Disponível em: https://academic.oup.com/book/37018 Acesso dia 01 de dezembro de 2025.
CORREIA, Ludmila Cerqueira; SOUSA JUNIOR, José Geraldo. O Movimento Antimanicomial como sujeito coletivo de direito. Rev. Direito e Práx. 11 (03), 2020. <https://www.scielo.br/j/rdp/a/QVyGbx9Q7K8vwD6HtyWcNSv/?format=html&lang=pt#
CORTE IDH. Caso Adolescentes reclusos em centros de detenção e internação provisória do serviço nacional de menores (SENAME) vs. Chile, sentença de 20 de novembro de 2024.
CORTE IDH. Caso Beatriz y otros Vs. El Salvador, sentença de 22 de novembro de 2024.
CORTE IDH. Caso Carrión González y otros Vs. Nicaragua, sentença de 25 de novembro de 2024.
CORTE IDH. Caso Cuéllar Sandoval y otros Vs. El Salvador, sentença de 18 de março de 2024.
CORTE IDH. Caso Leite de Souza y otros Vs. Brasil, sentença de 4 de julho de 2024.
CORTE IDH. Caso Pueblos indígenas Tagaeri y Taromenane Vs. Ecuador, sentença de 4 de setembro de 2024.
CORTE IDH. Caso Santos Nascimento y Ferreira Gomes vs. Brasil, sentença de 7 de outubro de 2024.
CORTE IDH. Cuadernillo de Jurisprudencia de la Corte Interamericana de Derechos Humanos No. 28: Derecho a la salud. Corte Interamericana de Derechos Humanos. San José, Costa Rica: Corte IDH, 2022.
CRENSHAW, Kimberlé. Demarginalizing the Intersection of Race and Sex: A Black Feminist Critique of Antidiscrimination Doctrine, Feminist Theory and Antiracist Politics. University of Chicago Legal Forum, Vol. 1989: Iss. 1, p. 139–167. Disponível em: https://chicagounbound.uchicago.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1052&context=uclf, acesso dia 30 de outubro de 2025.
CRUZ, Alice. Uma cura controversa: a promessa biomédica para a lepra em difracção entre Portugal e Brasil. Tese de Doutorado em Pós-Colonialismos e Cidadania Global da Universidade de Coimbra. Orientação de Dra. Maria Paula Meneses. Co-orientação de Dr. João Arriscado Nunes. Coimbra, 2013.
DELMAS-MARTY, Mireille. Por um direito comum, trad. Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
FINEMAN, Martha Albertson. The Vulnerable Subject: Anchoring Equality in the Human Condition. Yale Journal of Law and Feminism, Vol. 20:1, May 2008, p. 1-23. Disponível em https://www.researchgate.net/publication/228137515_The_Vulnerable_Subject_Anchoring_Equality_in_the_Human_Condition, Acesso em 30 de outubro de 2025.
HUNT, Paul. The human right to the highest attainable standard of health: new opportunities and challenges. Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene (2006) 100, p. 603 – 607. Disponível em https://www.antoniocasella.eu/salute/HUNT_2006. Acesso dia 09 de outubro de 2025.
NAÇÕES UNIDAS. Annuaire de la Commission du Droit Tnternational, Vol. II, Nova Iorque, 1957. Disponível em <https://legal.un.org/ilc/publications/yearbooks/french/ilc_1957_v2.pdf>. Acesso em 19 de outubro de 2025.
OEA. Adoção e aplicação do programa interamericano sobre a promoção dos direitos humanos da mulher e da equidade e igualdade de gênero. AG/RES. 1732 (XXX-O/00), de 5 de junho de 2000. Disponível em https://www.oas.org/juridico/portuguese/2000/agres_1732.htm. Acesso dia 08 de outubro de 2025.
OEA. Convenção Interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, de 09 de junho de 1994. Disponível em https://www.oas.org/pt/cidh/mandato/basicos/belemdopara.pdf? Acesso dia 08 de outubro de 2025.
OEA. Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas (AG/Res. 2888 (XLVI-O/16)). Adotada em 15 jun. 2016. OEA/Ser.P AG/RES.2888 (XLVI-O/16); OEA/Ser.D/XXVI.19. Disponível em: https://www.oas.org/en/sare/documents/decamind.pdf. Acesso em 30 de outubro de 2025.
ONU. Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher, de 18 de dezembro de 1979. Disponível em https://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2013/03/convencao_cedaw1.pdf?. Acesso dia 08 de outubro de 2025.
ONU. Convenção sobre os Direitos da Criança, de 20 de novembro de 1989. Disponível em https://www.unicef.pt/media/2766/unicef_convenc-a-o_dos_direitos_da_crianca.pdf? Acesso dia 08 de outubro de 2025.
ONU. Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Adotada pela Assembleia Geral em 13 set. 2007 (Res. 61/295). Disponível em: https://www.un.org/esa/socdev/unpfii/documents/DRIPS_pt.pdf. Acesso em 30 de outubro de 2025.
ONU. Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Resolução n.2.200-A (XXI), de 16 de dezembro de 1966.
ONU. Rules for the Treatment of Women Prisoners and Non-custodial Measures for Women Offenders (the Bangkok Rules). Resolução A/RES/65/229, adotada pela Assembleia Geral em 21 de dezembro de 2010. Nova Iorque: United Nations, 2011.
PERUZZO, Pedro Pulzatto; BOBADILLA, Mariana Rocio Aguillar. Educação em direitos humanos e ética na participação de populações vulneráveis em pesquisa: uma análise da Lei nº 14.874, de 2024. Revista da Faculdade de Direito da UFG, v. 49, p. 1-38, 2025.
PERUZZO, Pedro Pulzatto; SILVA, Luzia Vitória Carreira da. Aplicação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em casos de pessoas afetadas pela hanseníase ou filhos separados de pais com hanseníase pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Anais do XXXI Congresso Nacional do CONPEDI, Brasília/DF, 2024. Disponível em: https://site.conpedi.org.br/publicacoes/l23282p8/0xn5yl19/G4G51wf74lWIevuq.pdf. Acesso em: 20 fev. 2025.
PERUZZO, Pedro Pulzatto; SPADA, Arthur Ciciliati. Novos direitos fundamentais no âmbito da UNASUL: análise das agendas de Brasil e Venezuela à luz do direito à paz. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 15, n. 2, 2018 p. 309-338-352. Disponível em: https://www.publicacoes.uniceub.br/rdi/article/view/5060. Acesso em
QUIROGA, Cecilia Medina. Modificación de los reglamentos de la Corte Interamericana de Derechos Humanos y de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos al procedimiento de peticiones individuales ante la Corte. Anuario de Derechos Humanos, 2011, pp. 117-126.
RAMANZINI, Isabela Gerbelli Garbin. O prometido é devido: compliance no sistema interamericano de direitos humanos. Tese (Doutorado), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/101/101131/tde-26062014-141719/. Acesso em: 28 de outubro de 2025.
RAMOS, André de Carvalho. Processo internacional dos direitos humanos. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.
RAMOS, André de Carvalho. Responsabilidade Internacional por Violação de Direitos Humanos. Rio de Janeiro: Renovar, 2004. p. 37.
RINESI, Eduardo. Universidad, ciudadanía y derechos humanos. In. ANDRADE, Hugo; MONZON, Marcelo (orgs). UNM 10 años: la universidad como derecho humano y de los pueblos 1a ed. Moreno: UNM Editora, 2020.
ROBLES, Manuel E. Ventura. La Corte Interamericana de Derechos Humanos: camino hacia un tribunal permanente. Revista IIDH, vol. 32-33, julio 2000-junio 2001, p. 271-310. Disponível em: http://www.corteidh.or.cr/tablas/R06718-10.pdf, acesso dia 28/03/2018.
ROBLES, Manuel E. Ventura. La Corte Interamericana de Derechos Humanos: camino hacia un tribunal permanente. Revista IIDH, vol. 32-33, julio 2000-junio 2001, p. 271-310. Disponível em: http://www.corteidh.or.cr/tablas/R06718-10.pdf, acesso dia 28/10/2025.
RODRIGUEZ Ruiz, B. Hacia un estado post-patriarcal. Feminismo y cuidadanía. Revista de Estudios Políticos (nueva época), Número 149, Madrid, julio-septiembre 2010, p. 87-122.
TOURIS, Cecilia. La crisis de los cuidados en tiempos de pandemia. Latin American Human Rights Studies, v. 3, 2023. Disponível em: https://revistas.ufg.br/lahrs/article/view/79618/41044 Acesso em 01 de dezembro de 2025.
TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. El nuevo reglamento de la Corte Interamericana de Derechos Humanos (2000) y su proyección hacia el futuro: la emancipación del ser humano como sujeto del derecho internacional. In: TRINDADE, Antônio Augusto Cançado; ROBLES, Manuel E. Ventura. El futuro de la Corte Interamericana de Derechos Humanos. Costa Rica: Corte Interamericana de Derechos Humanos, Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados, 2003, p. 11 – 108. Disponível em: http://ru.juridicas.unam.mx/xmlui/handle/123456789/1136, Acesso dia 28 de outubro de 2025.
YASUAKI, Onuma. Direito Internacional em uma perspectiva transcivilizacional: questionamento da estrutura cognitiva predominante no emergente mundo multipolar e multicivilizacional do século XXI. Tradução de Jardel Gonçalves Anjos Ferreira et al. Belo Horizonte: Arraes Editores, 2017.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Cecília Touris, Isabella Christina da Mota Bolfarini, Pedro Pulzatto Peruzzo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
A publicação na Revista Pensamento Jurídico implica a aceitação das condições da Cessão de Direitos Autorais de Colaboração Autoral Inédita, e Termo de Responsabilidade, que serão encaminhados ao(s) autor(es) com o aceite.