Territórios, raça e mobilidade: o transporte público como expressão do racismo ambiental em Aparecida de Goiânia
Palavras-chave:
Racismo Ambiental, Transporte Público, Mobilidade Urbana, Direito à Cidade, Justiça AmbientalResumo
O presente estudo analisa a relação entre o transporte público e o racismo ambiental em Aparecida de Goiânia/GO, buscando compreender como a estrutura e as políticas públicas de mobilidade urbana reproduzem desigualdades raciais, socioeconômicas e territoriais. Parte-se do problema de pesquisa: como as políticas públicas e a organização do transporte coletivo contribuem para a perpetuação de práticas de racismo ambiental que restringem o direito à cidade e à justiça ambiental? A pesquisa adota abordagem analítico-interpretativa, articulando fundamentos teóricos de Lefebvre (2001), Bullard (1993) e Acselrad (2010) à análise empírica de dados obtidos por questionários aplicados a 105 participantes. O objetivo geral consiste em analisar de que forma o transporte público se configura como vetor de injustiça ambiental urbana. Os objetivos específicos são examinar criticamente a configuração e o funcionamento do sistema de transporte coletivo em Aparecida de Goiânia, relacionando suas falhas estruturais à desigualdade racial e territorial; investigar empiricamente os impactos sociais e ambientais da mobilidade desigual sobre diferentes grupos raciais, de gênero e renda. Os resultados demonstram que a precarização do transporte público, aliada à segregação espacial e à vulnerabilidade econômica, materializa o racismo ambiental e nega a efetividade do direito à cidade. Conclui-se que a superação dessa realidade requer políticas integradas de mobilidade, equidade racial e justiça socioambiental.
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