Educação escolar indígena e interculturalidade no Brasil e México

Autores

  • Josana de Castro Peixoto Universidade Estadual de Goiás
  • Poliene Soares dos Santos Bicalho Universidade Estadual de Goiás
  • Mariana Del Rocío Aguilar Bobadilla Facultad de Estudios Superiores Aragón, Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), México

Palavras-chave:

Diversidade cultural, Brasil, México, Educação indígena

Resumo

Este artigo realiza uma análise histórica e conceitual dos antecedentes da educação escolar indígena no México e no Brasil, no contexto das políticas públicas e dos marcos legais nacionais e internacionais que orientam a política indigenista nos dois países. A pesquisa, de caráter exploratório e documental, fundamenta-se em legislações, diretrizes e produções teóricas que abordam a educação escolar indígena sob a ótica da interculturalidade. O estudo diferencia a educação escolar indígena, modelo formal de ensino, da educação indígena tradicional, que ocorre no cotidiano das aldeias, envolvendo práticas comunitárias, trabalho, convivência e espiritualidade. Essa distinção é fundamental para compreender os desafios da implementação de uma educação indígena intercultural que respeite saberes e práticas ancestrais. Destacam-se as ações voltadas à formação de professores, a produção de materiais didáticos bilíngues e o fortalecimento institucional das escolas em territórios indígenas; bem como as políticas mexicanas comprometidas com a ampliação da educação intercultural bilíngue e a implementação das licenciaturas indígenas em várias universidades públicas do Brasil. Apesar dos avanços observados, decorrentes das conquistas dos movimentos indígenas, persistem entraves relacionados à infraestrutura, à valorização das línguas nativas e à autonomia pedagógica das comunidades. A educação escolar indígena ainda opera sob tensões colonialistas e epistemológicas, enfrentando o desafio de articular diversidade cultural e equidade educacional. Defende-se uma perspectiva crítica e transformadora da educação intercultural, baseada no diálogo de saberes, na valorização das identidades e na construção de uma pedagogia decolonial que contribua para o fortalecimento dos povos indígenas em sua luta por reconhecimento, autonomia e autodeterminação.

Biografia do Autor

Josana de Castro Peixoto, Universidade Estadual de Goiás

Graduação em Ciências Biológicas, modalidade bacharelado pela Universidade Federal de Goiás (2001) e licenciatura pela Universidade Estadual de Goiás (2000). Mestrado (2001), doutorado em Biologia (2010) e estágio pós-doutoral pela Universidade Federal de Goiás (2015) em parceria com o Programa en Biología y Ecología Aplicada na Universidade de La Serena, La Serena, Chile. Docente do quadro efetivo da Universidade Estadual de Goiás, campus sede central, Anápolis, GO e no Programa de Pós-graduação em Territórios e Expressões Culturais do Cerrado (TECCER). Ainda atua na Universidade Evangélica de Goiás nos cursos de graduação em Ciências Biológicas (Exerceu a função de diretora de curso no período de 2013 -2020) e Medicina. Atua no Programa de PósGraduação (stricto sensu) em Sociedade, Tecnologia e Meio Ambiente (PPG STMA) e no Programa de Pós-graduação em ciências Farmacêuticas, Farmacologia e Terapêutica (PPG FFT). Tem experiência na área de Plantas nativas do Cerrado e conservação e bioprospecção de produtos naturais onde participa de estudos morfoanatômicos, fitoquímicos, farmacológicos e toxicológicos de plantas e seus produtos naturais e, também atua na linha de Ciências Ambientais onde participa de pesquisas voltadas à Conservação e proteção à Natureza. Faz parte do grupo de pesquisa Biodiversidade e Meio Ambiente; coordena o projeto de pesquisa Dinâmica da sucessão vegetacional em área florestada de Cerrado goiano vinculado ao Projeto PROCAD/CAPES "Novas Fronteiras no Oeste: relação entre sociedade e natureza na microrregião de Ceres em Goiás (1940-2013)" Processo CAPES 2980/2014. Participa do Núcleo de Saberes Ambientais e Tradicionais do Cerrado da Universidade Estadual de Goiás

Referências

AGUADO, T. (2021) Educación intercultural en la práctica escolar. Cómo hacerla posible, en Profesorado. Revista de currículu u formación del profesorado, v. 25, n. 3, noviembre, 2021.

ARÓSTEGUI, J. La investigación histórica: teoría y método. Barcelona: Crítica, 2001.

BANIWA, G. Educação escolar indígena no século XXI: encantos e desencantos.1. ed. — Rio de Janeiro: Mórula, Laced, 2019.

BONFIL, B. G. Del indigenismo de la revolución a la antropología crítica en WARMAN, A. De eso que llaman antropología. 1970. México. Ed. Nuestro Tiempo.

BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Educação Indígena. In: https://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12315:educacao-indigena&catid=282:educacao-indigena&Itemid=635. Acesso: 28/10/2025, 23:54h.

BUDAR, L., MESEGUER, S., CEBALLOS, D., MATEOS, L., DIETZ, G. Intercuturalidad e interseccionalidad en la educación superior: hacia una normativa diversificada para la Universidad Veracrzana, Eduscientia Divulgación de la Ciencia Educativa v. 10, 2022, pp. 141-160.

Diario Oficial de la Federación. Decreto que declara reformado, adicionado y derrogado el Art. 2º de la Constitución de los Estados Unidos Mexicanos em matéria de pueblos y comunidades indígenas y afromexicanos. 2024. México: Cámara de Diputados del H. Congreso de la Unión.

DÍAZ-POLANCO, H. Elogio de la diversidad. Globalización, multiculturalismo y etnofagia. 2006. México: Siglo XXI Editores.

DIETZ, G. Interculturalidad: una aproximación antropológica. En: Perfiles educativos, v. XXXIX, n 156. 2017.

DIETZ, G. La interculturalidad como herramienta analítica y como propuesta educativa. México: Universidad Iberoamericana León, 2025.

DIETZ, G. Interculturalidad: una perspectiva antropológica. In: ______. 2025. México: Universidad Iberoamericana León.

DIETZ, G., MATEOS, S. Interculturalidad y educación intercultural. México: SEP, 2017. p. 191-210.

ECHEVERRÍA, B. Modernidad y blanquitud. México: Era, 2010.

INEGI, (2022) La población indígena em México. Disponible em: https://beta.cuentame.inegi.org.mx/explora/poblacion/pueblos_indigenas/.

INEGI, La población indígena em México. 2022. Disponible em: https://beta.cuentame.inegi.org.mx/explora/poblacion/pueblos_indigenas/.

KARAJÁ, V. H. M.; CUNHA, M. B.; HERBETTA, A. Implementação de Ações Afirmativas (e Cotas) para estudantes indígenas em duas universidades públicas goianas: Os casos da UFG e da UEG. In: BICALHO, P. S. S., MOURA, M. O., KARAJÁ, V. H. M. (Orgs.) Povos Originários: Goiás+300: reflexão e ressignificação. Vol. 6. Goiânia, GO: Edições Goiás +300. Coordenadores da coleção: Jales Mendonça, Nilson Jaime (editor-geral).

LENKERSDORF, C. Aprender a escuchar. Enseñanza maya tojolabales. 2008. México: Plaza y Valdés Editores.

LÓPEZ BÁRCEMAS, F. Reforma indígena: el ruído y las nueces, em Desinformémonos, 9 de febrero 2024. Disponible em: https://desinformemonos.org/reforma-indigena-el-ruido-y-las-nueces/.

LÓPEZ, B. F. Reforma indígena: el ruído y las nueces, en Desinformémonos, 9 de febrero 2024. Disponible em: https://desinformemonos.org/reforma-indigena-el-ruido-y-las-nueces/.

LYOTARD, J-F. A Condição Pós-Moderna. Lisboa: Gradiva, 1987.

MELIÀ, B. Educação Indígena e Alfabetização. São Paulo: Loyola, 1979.

OLIVÉ, L. Inter-culturalismo y justicia social. 2004. México, UNAM.

OLIVEIRA, N. C. L. Das Diretrizes à Sala de Aula: O Documento Curricular para Goiás e os Indígenas nos anos finais do Ensino Fundamental. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação Territórios e Expressões Culturais no Cerrado da Universidade Estadual de Goiás. Anápolis: UEG, 2025.

ORTÍZ, F. Contrapunteo cubano del tabaco y el azúcar. Caracas: Biblioteca Ayacucho, 2002.

PÉREZ, P. K. Aproximaciones al concepto de minoría. FISS, O. Grupos y cláusula de protección. GARGARELLA, R. Derecho y grupos desaventajados. 1999. Barcelona: Gedisa, pp. 245-264.

PLÁ, S. Interculturalidades y currículum en América Latina, en Epistemologías e interculturalidad en educación. 2022. México: ISUE, UNAM, p. 291-316.

SANCHEZ, L. M. C.; LEAL, F. S. F. Licenciatura em Educação Básica Intercultural: avanços, desafios e potencialidades na formação superior de professores indígenas. Rev. bras. Estud. pedagog., Brasília, v. 102, n. 261, p. 357-375, maio/ago. 2021.

SIMONI, A. T. GUIMARÃES, B. N. SANTOS, R. V. “Nunca mais o Brasil sem nós”: povos indígenas no Censo Demográfico 2022. Cad. Saúde Pública, 2024; 40(4):e00232223, p. 1-4.

TIRZO, G. J. Encuentros, preguntas y desafíos de la interculturalidad y el currículum en la educación pública mexicana, en Educación en movimiento, vol. 2, n. 22, octubre 2023, p. 4-10.

UNESCO. La educación en un mundo plurilingüe. 2003. París, UNESCO.

WALSH, C. Entretejiendo lo pedagógico y lo decolonial: luchas, caminos y siembras de reflexión-acción para resistir, (re)existir y (re)vivir. 2017. Colombia: Ed. Alternativas.

WALSH, C. Pedagogías decoloniales. Prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. 2003. Quito: Abya Yala.

Downloads

Publicado

2026-01-08

Como Citar

PEIXOTO, Josana de Castro; SOARES DOS SANTOS BICALHO, Poliene; DEL ROCÍO AGUILAR BOBADILLA, Mariana. Educação escolar indígena e interculturalidade no Brasil e México. Revista Pensamento Jurídico, São Paulo, Brasil, v. 19, n. 3, 2026. Disponível em: https://ojs.unialfa.com.br/index.php/pensamentojuridico/article/view/1200. Acesso em: 23 jan. 2026.