Invisibilidade e reconhecimento: o tratamento judicial da homofobia e da intolerância sexual no Tribunal de Justiça de São Paulo

Autores

  • Renata Franciele Tavante Universidade Estadual do Norte do Paraná
  • Carla Bertoncini Universidade Estadual do Norte do Paraná
  • Luiz Fernando Kazmierczak Universidade Estadual do Norte do Paraná

Palavras-chave:

ADO 26, Homofobia, injustiça epistemica, TJSP, violência institucional

Resumo

O artigo analisa o tratamento judicial da homofobia e da intolerância sexual no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), com base na Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão n.º 26/DF, no Mandado de Injunção n.º 4.733/DF e na Lei n.º 14.532/2023. Adota-se abordagem qualitativa, empírica e exploratório-descritiva, com análise de conteúdo de 26 acórdãos proferidos entre janeiro de 2020 e julho de 2025. As decisões foram localizadas no repositório de jurisprudência do TJSP mediante o caminho “Jurisprudência → SAJ → Jurisprudência → Assunto: ‘Intolerância por orientação’”, e, em seguida, com os filtros complementares “Penal → Preconceituosa → Orientação Sexual → Identidade de Gênero”, acrescidos das palavras-chave “homofobia” e “ADO 26”. Após exclusão de duplicidades e verificação de integridade documental, foram analisadas decisões das 1ª, 2ª, 4ª, 5ª, 6ª, 10ª, 11ª e 16ª Câmaras Criminais. Os resultados apontam que a hipótese inicial — de presença estrutural de violência institucional — não se confirmou integralmente. O TJSP demonstra uniformidade crescente e aplicação sistemática da ADO 26/DF e da Lei 14.532/2023, evidenciando avanço interpretativo e sensibilidade constitucional no enfrentamento da homofobia. Contudo, persistem formas sutis de invisibilidade e injustiça epistêmica, observadas na ausência de padronização dos registros e no apagamento simbólico das identidades das vítimas. Conclui-se que o TJSP vive uma transição institucional, marcada por maior coerência hermenêutica e consolidação de uma jurisprudência inclusiva e protetiva às pessoas LGBTQIA+.

Biografia do Autor

Carla Bertoncini, Universidade Estadual do Norte do Paraná

Doutora em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (subárea de concentração Direito Civil) - PUC (2011). Mestre em Direito pela Instituição Toledo de Ensino - ITE (2001). Bacharel em Direito pela Instituição Toledo de Ensino - ITE (1992). Advogada. Atualmente é professora adjunta do curso de Pós-graduação stricto sensu (Mestrado/Doutorado) e do curso de graduação da Faculdade de Direito do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP, Campus de Jacarezinho/PR e professora de Direito Civil (Direito das Famílias e Sucessões) do UNIFIO-Ourinhos/SP.. E-mail: carla.bertoncini@uenp.edu.br 

Luiz Fernando Kazmierczak, Universidade Estadual do Norte do Paraná

Doutor em Direito Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Mestre em Ciência Jurídica pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e Graduado em Direito pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) na Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro (2004). Atualmente é Professor Associado A na graduação em Direito e na pós-graduação em Ciência Jurídica na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), onde exerce o cargo de Diretor do Campus de Jacarezinho. Coordenador Estadual do Programa Núcleo de Estudos e Defesa de Direitos da Infância e da Juventude - NEDDIJ, vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná - SETI. Professor bolsista ERASMUS+ no ano de 2022 na Universidad de Murcia/Espanha.

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Publicado

2026-01-08

Como Citar

TAVANTE, Renata Franciele; BERTONCINI, Carla; KAZMIERCZAK, Luiz Fernando. Invisibilidade e reconhecimento: o tratamento judicial da homofobia e da intolerância sexual no Tribunal de Justiça de São Paulo. Revista Pensamento Jurídico, São Paulo, Brasil, v. 19, n. 3, 2026. Disponível em: https://ojs.unialfa.com.br/index.php/pensamentojuridico/article/view/1140. Acesso em: 23 jan. 2026.