Autorregulação Neuroquímica e Autonomia Terapêutica no Uso de Psicofármacos
Palavras-chave:
autorregulação neuroquímica; psicofarmacologia; neuroplasticidade; autonomia terapêutica; uso racional de medicamentos.Resumo
Este ensaio teórico propõe o constructo de autorregulação neuroquímica como modelo integrativo para sustentar a autonomia terapêutica e o uso racional de psicofármacos na clínica psicológica. Diante do aumento do consumo de psicotrópicos e de controvérsias sobre medicalização, o texto articula evidências de modulação farmacológica (exógena) e de mudanças neurobiológicas dependentes de experiência (endógenas), enfatizando o papel de intervenções psicoterapêuticas, comportamentais e psicossociais na reorganização funcional de circuitos ligados ao humor, ansiedade, controle inibitório e estresse. O modelo delimita quatro eixos operacionais, estabilização clínica, psicoeducação neurobiológica, práticas de autorregulação e tomada de decisão compartilhada e discute como sua aplicação pode reduzir a dependência exclusiva de fármacos, favorecer adesão, prevenir recaídas e orientar estratégias responsáveis de manutenção, revisão terapêutica e, quando indicado, desprescrição gradual supervisionada. Em perspectiva crítica, analisa-se o papel de determinantes sociais do sofrimento psíquico, desigualdades de acesso a cuidado psicossocial e riscos éticos associados à prescrição prolongada sem monitoramento funcional. Conclui-se que a autorregulação neuroquímica, como capacidade treinável apoiada por contexto terapêutico, não substitui a farmacoterapia quando necessária, mas amplia efetividade e segurança ao integrar intervenção psicológica, contexto e farmacologia em um percurso de recuperação sustentável.
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