O Impacto do Atendimento de Casais Sobre a Pessoa do Terapeuta

Autores

  • Luisa Fernandes de Sousa
  • Artur Vandré Pitanga
  • Patrick Ramon Rezende Ramos

Palavras-chave:

Psicoterapia Analítica Funcional; Terapia Comportamental Integrativa de Casais; Eventos privados; T1’s e T2’s; Terapias Comportamentais Contextuais.

Resumo

Este estudo investiga o impacto do atendimento de casais sobre a pessoa do terapeuta, fundamentando-se na Análise do Comportamento e nas Terapias Comportamentais Contextuais, especialmente a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) e a Terapia Comportamental Integrativa de Casais (IBCT). Apresenta-se um panorama histórico das três ondas da terapia comportamental, destacando a transição de técnicas de modificação de comportamento para abordagens contextuais que enfatizam aceitação, mindfulness e a relação terapêutica. A pesquisa, de natureza qualitativa, utilizou o método de observação participante, a partir da experiência de uma terapeuta comportamental contextual que conduziu sessões com dois casais. Os atendimentos ocorreram de forma presencial e on-line, e a terapeuta registrou sistematicamente seus pensamentos, sentimentos e reações durante as sessões. Os dados foram organizados em tabelas que descrevem como os comportamentos conjugais evocaram T1’s e T2’s. Os resultados indicaram que, embora tenham ocorrido T1’s como receio, confusão, tristeza e irritação, predominaram T2’s, como validação, análise funcional, treino de comunicação e autorrevelação estratégica. Essas respostas favoreceram progressos em comunicação, intimidade e autocontrole dos casais, embora permanecessem desafios relacionados a mágoas do passado, inseguranças, baixa adesão e discrepâncias entre necessidades individuais. Os eventos privados da terapeuta (emoções, pensamentos e sensações) funcionaram como pistas úteis para compreender as dinâmicas conjugais e orientar intervenções. A autorregulação e a consciência desses eventos possibilitaram transformar T1’s em T2’s produtivos, fortalecendo a aliança terapêutica. Conclui-se que a terapia de casais é um processo de mão dupla, em que tanto os clientes quanto o terapeuta se transformam. Por fim, destaca-se a importância de considerar aspectos socioculturais que influenciam as relações amorosas, bem como a necessidade de desenvolver instrumentos mais precisos para identificar T1’s e T2’s. Os achados reforçam que a clínica comportamental contextual deve integrar técnica, consciência de si e crítica cultural, promovendo uma prática baseada em evidências, humana e socialmente engajada.

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Publicado

2025-12-31

Edição

Seção

Artigos