POTÊNCIAS EMERGENTES E MULTILATERALISMO INCLUSIVO: REPENSANDO A GOVERNANÇA GLOBAL NO SÉCULO XXI
Palavras-chave:
Governança global; potências emergentes; G20; multilateralismo; policentrismo.Resumo
Este artigo investiga se e como as potências emergentes exercem influência sobre a reconfiguração da governança global, tomando o G20 como arena privilegiada de observação. A partir do referencial da governança global e do policentrismo, e mediante análise documental qualitativa das declarações de líderes do G20 entre 2008 e 2024, examinam-se três dimensões: a representatividade e a composição do foro; a agenda de desenvolvimento e as assimetrias entre Norte e Sul globais; e a reforma da arquitetura financeira internacional. Os resultados indicam que a influência dos emergentes é real, porém incremental: materializou-se na elevação do G20 a principal foro de cooperação econômica internacional, na admissão da União Africana e na inscrição de agendas de desenvolvimento e de tributação progressiva, mas permanece limitada pela estagnação das reformas de cotas e de governança nas instituições de Bretton Woods. O padrão decrescente de influência é explicado pelo custo diferencial que cada dimensão impõe às potências estabelecidas: ampliar a mesa e inscrever temas preserva o poder decisório dos incumbentes; redistribuir cotas e votos, não. Propõe-se, assim, o multilateralismo inclusivo como variável gradual e multidimensional, e conclui-se que sua construção depende da conversão de vitórias de agenda em mudanças institucionais vinculantes.
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